É assustador saber que se eu lutasse te teria. Mas pra que mesmo? No máximo duas semanas... e depois só descobrir o quanto eu posso ser possessiva, o quanto sou carente e egoísta. Quem sabe quanto tempo eu levaria pra achar as marcas dela na sua mente, percebe-la em seus gestos, em como você põe mostarda no seu lanche, no seu jeito de escovar os dentes..? Quanto tempo levaria para que os carinhos e a sua empolgação se transformassem em pés e portas batendo estrondosos? Mal sei o que eu daria pra calar  seus lábios que não pronunciam esse desejo, mas tremem quando teus olhos me vêem. E em quanto tempo cessariam os assuntos, as mensagens, as ligações? Por quanto tempo durariam os apelidos doces e ridículos, os carinhos tímidos? Valeria trocar todo o conforto e confiança, os braços já viciados, por uma ‘grandiosa’ viagem de duas semanas, da qual não se conhece nem mesmo o destino? Responda a tantas questões. Você teria coragem? Eu queria saber o que te falta, o que você procura que você ainda não tenha... porque sei que falta alguma coisa. Desse julgamento de que tanto me esquivo, sobram sempre dois e dois, e nesse persistente e imutável quatro lógico, vejo apenas um dos lados: o meu! Uma das quatro paredes já ruiu e eu duvido que você não tenha ainda feito as contas. Eu duvido que você não as refaça toda vez me vê. E nós sabemos o quanto queremos tirar a prova, mas nos perguntamos a todo instante se valeria a pena, sabendo que seria tão breve. Além do mais nós poderíamos fazer uma imensa lista de todos os motivos pra não nos encontrarmos, que iria dos seus vícios à minha distância, que passaria pelo meu passado e pelo seu, que exporia nossas feridas e nossas mágoas, que gritaria o seu (péssimo) gosto musical, que verteria todo o sangue das nossa divergências físicas e espirituais. Poderíamos nos encontrar apenas pra fazer isso e passaríamos horas deitados, comendo chocolates e pipocas, olhando para o teto, pulando na cama até que um de nós batesse a cabeça. E nós riríamos, tanto, talvez até que o cansaço nos obrigasse ao silêncio para recuperar o fôlego. E talvez até que um beijo fosse necessário pra quebrar o silêncio. E quem sabe se o constrangimento pedisse outro beijo, e mais outro, até que a “lista dos contra” fosse toda apagada por apenas uma palavra de “pró”. E eu pensaria em voz alta: - Quem sabe seja você o cavaleiro alado que me libertará dessa prisão que construí com os tijolos que me atiraram? - Mas seriam apenas duas semanas, tenho certeza, para o começo começar a virar                fim.

PESADELOS

Todas as vezes que durmo, sonho. Nem importa muito se estou no conforto da minha cama ou chacoalhando no busão, sempre sonho. Não sei se todo mundo sonha e não se lembra ou se não sonha mesmo, mas eu me lembro todos os meus sonhos... e pesadelos também. Tinha uns textos chatos do Werber pra ler e eu dormia toda hora nesse fim de semana. Acho que 2 furacões, 1 tufão e 1 terremoto nos últimos 15 dias, mexeram comigo (sem trocadilho). Estou realmente preocupada em acordar um dia no meio do filme “O DIA DEPOIS DE AMANHÔ, porque já fui dormir nele umas vinte vezes e não sei dizer exatamente se esses sonhos foram reflexos dos meus pesadelos diurnos ou apenas o pavor de que tudo está se aproximando. Na verdade eu não sabia do tufão na China, nem do terremoto no Peru até 2hs atrás, sendo que ontem sonhei que estava ilhada num país de língua hispânica... e a gente pensa que está tudo longe, são outros países.. ou então que apenas nos últimos andares de edifícios em Manaus se sentiu o tremor. E a gente pensa que a culpa de tudo isso é do Bush pai ou do Bush filho, do Bin Laden, do Fidel, do Hitler, de grandes empresários, da sociedade de massa... mas essa culpa é também nossa. Eles não querem assinar o protocolo de quioto, e nós temos preguiça de reciclar o lixo; eles fazem guerras, desmatação, jogam lixo tóxico nos mares, e nós compramos um carro velho pra fugirmos do rodízio. Mas eu prefiro a carnificina do meu sonho em espanhol de ontem a tarde do que acordar com gelo na minha janela do 12º andar... e prefiro mil vezes assistir à ficção bem realizada do Spielberg e do Roland Emmerich do que acordar no meio dela. Nós estamos nos matando, com a mesma violência dos tacapes, só que em versão massificada.

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